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Chegou o inverno e a cigarra, morta de frio e de fome, foi bater à porta da casa da formiga, para lhe pefir algo para comer,  ela que nem casa tinha para se abrigar.

Durante toda a época de calor, a formiga nada mais fez do que trabalhar muito e estocar alimento para sobreviver ao duro inverno, resguardada dentro de casa.

Tanto a cigarra insistiu que a formiga foi à porta atender.

- O que você quer? - perguntou.

- Tenho fome. Aqui fora não tem mais nada para se comer. - respondeu a cigarra, tiritando.

- E o que você fez durante todo o verão? - perguntou a formiga à pedinte.

- Eu cantava à vida noite e dia, a toda hora! - respondeu a cigarra.

- Cantava, é? - disse a formiga com desdém. - Pois agora, pode dançar!

E bateu a porta com força.

 

Fábulas de La Fontaine

A cigarra e a formiga (ilustração de Gustave Doré)

 

A Cigarra e a Formiga ( ou "O Gafanhoto e Formiga" em outras versões) é uma das fábulas atribuídas a Esopo e recontada por Jean de La Fontaine em francês. No Brasil, esta história e as demais histórias de Esopo e La Fontaine foram recontadas, no contexto do Sítio do Picapau Amarelo, pelo escritor Monteiro Lobato, emprestando-lhes um contexto mais afeito à realidade do país, em sua obra Fábulas. O espanhol Félix María Samaniego também incluiu uma versão da história em suas Fábulas, de 1784.

Nos países francófonos, as fábulas de La Fontaine são ensinadas às crianças desde cedo e todos as conhecem de cor. A versão da fábula da cigarra e da formiga é a mais conhecida no Ocidente.

Esopo conta a história de uma cigarra que canta durante o verão, enquanto as formigas trabalharam para acumular provisões em seu formigueiro. No inverno, desamparada, a cigarra faminta pede-lhes um pouco dos grãos que punham a secar; perguntada sobre o que a fizera durante todo o verão, responde que não tivera tempo para juntar comida pois "cantara melodiosamente", ao que as formigas retrucam que se cantara no verão, que dançasse no inverno.

 

 Tradução de Bocage: Versão com o gafanhoto e a formiga (Projeto Gutenberg). O poeta Bocage traduziu para o idioma português a versão escrita por La Fontaine (em domínio público): 

Tendo a cigarra em cantigas
Passado todo o verão
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brilho,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso estio.
- "Amiga", diz a cigarra,
- "Prometo, à fé d'animal,
Pagar-vos antes d'agosto
Os juros e o principal."
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
- "No verão em que lidavas?"
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra:
- "Eu cantava
Noite e dia, a toda a hora."
- "Oh! bravo!", torna a formiga.
- "Cantavas? Pois dança agora!"

 Ilustração de J. J. Grandville para a edição de 1838 da fábula "A Cigarra e a Formiga"