Temos 126 visitantes e Nenhum membro online

 

Uma andorinha havia aprendido muito em viagens. De tudo que havia visto e conhecido aprendera bastante, adquiriu sabedoria e conhecimento. Com sua experiência, por exemplo, era capaz de prever todas as borrascas e antes que elas desabassem, avisava aos marinheiros sobre elas.

Certo dia, vendo um camponês lançar sementes no campo lavrado, a andorinha foi falar aos passarinhos da vizinhança:

- Não me agrada o que vejo. E meu receio é por vocês, não por mim que posso ir viver em qualquer lugar, ao longe e a salvo dos perigos. Estão vendo aquelas mãos ágeis? Pois o que elas espalham trará a desgraça para todos vocês. Em breve aquelas mãos estarão colocando armadilhas que os prendam e seu futuro serão as gaiolas ou a morte lenta por envenenamento.

Os passarinhos riram dela. Ora, o campo produzia alimento com fartura que podia dar de comer a todos. A andorinha, não desistiu e voltou a adverti-los:

- Corra agora se alimentar, pois quando o lavrador não estiver mais ocupado com sua propriedade cultivando a roça, ele vai colocar as armadilhas para prender e matar o maior número de vocês. Vão agora e, depois, mudem de clima ou se escondam em seus ninhos, já que não podem voar pelos mares como eu, buscando novos mundos.

As avezinhas, cansadas de ouvir os avisos da andorinha saíram em debandada praguejando contra ela: - Tagarela! Pensa que sabe tudo! Está debochando de nós!

E no final cumpriu-se a predição. Os passarinhos, desconhecendo os riscos, caíram nas armadilhas, emaranharam-se nas redes e no visgo que o lavrador espalhou pela lavoura, por toda a propriedade.

Os passarinhos só deram atenção àquilo que queriam ouvir e só acreditaram na desgraça quando finalmente viram seu rosto.

 

Fábulas de La Fontaine