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Miciful, gato astuto, havia feito tal matança entre os ratos, que apenas se via um ou outro: a maior parte jazia morta. Os poucos que ousavam a sair de seu esconderijo passavam mil apuros: para aqueles desaventurados, Miciful não era um gato, mas o próprio demônio.

Certa noite, o inimigo dos ratos deu uma trégua, resolveu passear pelos telhados atrás de uma gata, com a qual ficou entretido em um longo colóquio; os ratos sobreviventes aproveitaram para se encontrar num congresso, para discutir a grande questão daquele momento: o que fazer contra os ataques de Miciful.

O grande líder dos ratos, fazendo ju à sua posição, opinou antes de todos:

-Por motivo de cautela, julgo ser preciso prender, sem demora, um guizo no pescoço de Miciful; assim, quando ele sair à caça, todos nós vamos poder ouvir e fugir do perigo!

Todos concordaram com a ideia; a todos a medida pareceu excelente... Porém, surgiu uma única dificuldade: saber quem iria amarrar o guizo no pescoço do gato. Um rato disse:

-Não vou arriscar a pele, não assim tão tolo.

Outro, também disse:

-Pois eu tampouco me atrevo.

E assim, um a um os ratos foram desistindo da empreitada e o congresso foi dissolvido.

Assim, isso sempre acontece nos conselhos e reuniões! Se precisar discutir e deliberar, os conselheiros aparecem aos montes, assim como planos e projetos. Prém, se algo precisar ser feito, aí não dá para se contar com ninguém!

Toda força será fraca, se não estiver unida.

Fábulas de La Fontaine.